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Manifestações Populares

O Coco de Roda em Cabedelo - Tradição familiar que se mantém viva

A música que deu identidade ao rei do ritmo, Jackson do Pandeiro, resiste atualmente no canto e na dança de inúmeros grupos brincantes de Coco de Roda Nordeste a fora. Em Cabedelo, ela faz parte do manancial de manifestações artísticas da cidade, através do cultivo ancestral do Coco de Roda de Mestre Benedito, do bairro Camalaú, em atividade desde os anos 50, e formalizado como grupo a partir de 1976.

O Coco de Roda é uma manifestação da cultura popular do nordeste, fortemente identificada pela união festiva do ritmo bem marcado, da simplicidade poética ligada as coisas simples do povo, pela dança e pelo canto.

Antes de se mudar para Cruz do Espírito Santo para Cabedelo, o Mestre Benedito já tinha o costume de convocar toda a família, além de vizinho, para, juntos, brincarem de tocar coco e dançar ciranda. As apresentações tinham letra e ritmo, mas eram guiadas, sobretudo, pelo improviso.

Mesmo após a morte do patriarca, o grupo nunca se desviou da sua formação familiar: os 10 filhos e dezenas de netos e bisnetos que formaram a base do Coco de Roda e Ciranda do Mestre Benedito foram preservados pela filha, Dona Teca do Coco que, aos 72 anos, esbanja disposição para cumprir a agenda de apresentações e manter a tradição viva na cidade. A sua perpetuação representa a preservação da memória cultural de Cabedelo e sua Cultura Artística Popular.

O grupo, formado por várias pessoas, dentre homens, mulheres e crianças, se apresenta em festas juninas, carnavais e eventos de bairro, dentro e fora do município, sem um calendário pré-fixado. Seus cânticos falam de força e resistência, com uma leve dose de bom humor. Suas canções encantadoras, que brincam com as mais diversas cenas do cotidiano. Eles têm CD e um DVD gravados, e já foram reconhecidos através do Prêmio Culturas Populares 2007.

A brincadeira do coco é uma dança de roda, acompanhada de cantoria e executada em pares, fileiras ou círculos durante festas populares do litoral e do sertão nordestino. O som característico do coco vem de instrumentos percussivos que marcam o ritmo acelerado, e é complementado pelo bater de pés e pelas palmas que, muitas vezes, são os únicos instrumentos utilizados.

O Coco de Roda da Paraíba figura nos documentos produzidos pelo escritor Mario de Andrade. Cabedelo, particularmente, é motivo exemplar no livro de Altimar de Alencar Pimentel, O coco praieiro: uma dança de umbigada, cuja primeira edição data de 1964.

Nau Catarineta - A manifestação portuguesa mais popular do Brasil

Com mais de cem anos de história de apresentações na cidade de Cabedelo, a Nau Catarineta é uma dança dramática inspirada nas viagens marítimas portuguesas e a manifestação popular lusa, em forma de Auto, mais difundida do Brasil.

Pela Lei nº 1.662, de 23 de setembro de 2013, a Nau Catarineta é considerada Patrimônio Cultural e Imaterial do Município de Cabedelo.

O espetáculo traz em sua apresentação uma barca para encenar uma história trágica de naufrágios, com elementos religiosos e cômicos.

A dança surgiu em Portugal, no século XVI, baseado no romance Nau Catarineta, do poeta português Almeida Garret. Existem três versões sobre o surgimento da Nau Catarineta em Cabedelo, não havendo unanimidade em relação à verdadeira.

A primeira diz que a manifestação popular chegou na cidade em 1910, trazida por um português aposentado conhecido como Sr. Raimundo Gertrudes. Ele teria organizado a primeira Barca de Cabedelo. Depois, esse grupo se dividiu e formou-se outro, liderado por João de Tonha.

A segunda versão afirma que o primeiro grupo a se apresentar na cidade chegou em 1910, por via férrea, conduzido e dirigido por Basílio Costa, funcionário da Gret Westren, empresa concessionária inglesa.

A terceira versão relata que foi por iniciativa de um estivador chamado João de Tonha e que o auto era denominado “Nau Catita”.

O Grupo tradicional da Nau Catarineta de Cabedelo é o único em atividade na Paraíba, e se reúne semanalmente para ensaiar na Fortaleza de Santa Catarina. As apresentações da dança duram em média 40 minutos e acontecem em datas comemorativas e cívicas do calendário nacional, além da realização de apresentações culturais nas comunidades, em praças, ruas, quadras esportivas e clubes.

O primeiro grupo que apresentou a Nau Catarineta em Cabedelo foi coordenado por Basílio da Costa. Desde então, outros grupos já se organizaram para manutenção da cultura da Nau Catarineta, a exemplo dos Mestres de Barca Moacir Caetano, José Nazaré, Tadeu Patrício e Hermes do Nascimento, que também é autor da letra do Hino de Cabedelo, além de Dadá Dornelas, as saudosas Nilza do Amaral e Regina Moreira, entre outros artistas.

A apresentação da Nau Catarineta em Cabedelo, coordenada desde 1998 por Tadeu Patrício, envolve 27 personagens, que se mostram tal qual a tradição antiga, com as cores e os modelos similares aos da Marinha Brasileira : Mestre, Contramestre, 1º Tenente, 2º Tenente, Guarda-Marinha, Piloto, Doutor, D.João IV, Alfere Almirante, Sargento-Mar-e-Guerra, Saloia, 1º Guia, 2º Guia , 1º Cabo Artilheiro, 1º Marinheiro, 2º Marinheiro, 3º Marinheiro, 4º Marinheiro, 1º Garjeiro, 2º Garjeiro, Calafate, Calafatinho, Padre, Ração e Vassoura.
Também existe a Nau Catarineta Feminina, fundando em1992 e que reúne cerca de 30 mulheres, na mesma dinâmica que o grupo tradicional.

Mais informações sobre as apresentações: Tadeu Patrício (83) 8763 2843/ 8795.6702; tadeupatricio@hotmail.com | Nau Catarineta Feminina: Mônica das Neves Monteiro: 8868.8697 / 9656.1701.

Boi Formoso de Cabedelo

O Boi Formoso de Cabedelo foi organizado na Escola Municipal Major Adolfo Pereira Maia, a partir de uma pesquisa sobre Danças Folclóricas, como a do Boi-de-Reis, originada da Cultura Afro-Brasileira no Período do Brasil Colônia.

No início, os escravos utilizavam um lençol estampado na cabeça, dando cabeçada nas pessoas, que se defendiam com passos ritmados. Depois, passaram a utilizar instrumentos de percussão,  como pandeiro e a rabeca.

A dança representa uma história da Cultura Popular, em que a personagem Catirina, grávida, tem desejos, e pede ao seu marido, o fazendeiro Benedito, a língua do Boi que ele mandou comprar no Egito.

O 1º nome dado ao grupo, em Cabedelo, foi Boi-Bumbá. Boi Formoso, posteriormente batizado, é uma homenagem à Praia Formosa, localizada na cidade portuária.

Além de Cabedelo, existem outras regiões em que também há esse tipo de manifestação cultural. Em João Pessoa e Bayeux, estado da Paraíba, é chamada de Cavalo-Marinho ou Boi-de-Reis; Eem São Luís, no Maranhão, de Bumba-Meu-Boi; E em Parintins, em Manaus, é Boi-Bumbá.

Lapinha

A lapinha mantém viva a manifestação da cultura popular alusiva ao Dia de Reis, comemorado em 06 de Janeiro. O nome deriva da crença medieval de que o menino Jesus havia nascido em uma lapa, que significa caverna, gruta ou pedra que desponta de um rochedo formando um abrigo.

A visita dos reis magos ao local onde Jesus nasceu e a adoração em torno da manjedoura onde ele repousou é o mote de partida para a celebração. Segundo o folclorista Câmara Cascudo, a lapinha em outras épocas fazia parte das comemorações da natividade quando, em volta do presépio, pastoras faziam louvações. Atualmente, a manifestação cultural é o ramo profano das celebrações da natividade. Uma forma de teatro popular sem as comemorações religiosas do nascimento.

O canto e a dança são bem caracterizados no festejo e as cores das vestimentas (vermelho e azul), representam as cores votivas de Nossa Senhora e de nosso Senhor, respectivamente. Cada membro do grupo representa uma personagem, conhecida como Diana, a figura central dos cordões e que, geralmente, veste as cores dos dois cordões, seguida de mestra, contra-mestra, ciganas, borboletas e pastorinhas.

A coreografia da Lapinha é executada a partir de uma disputa entre os dois cordões. O cordão azul e vermelho, ou “encarnado” na linguagem popular, disputam as ofertas em dinheiro do público assistente para o seu cordão preferido.  As pastoras dispostas em duas fileiras, cantam canções cujas letras lembram e louvam o evento do nascimento do menino Jesus e exaltam suas qualidades na disputa.

O ponto alto das apresentações se dá no dia dos Santos Reis, 06 de janeiro, quando ocorre a chamada “queima” da Lapinha. Nessa cerimônia, a palha da manjedoura que acolheu o menino Jesus são queimadas, enquanto as pastoras dançam em volta do fogo e é conhecido o cordão vencedor pelo valor das prendas arrecadadas.

Em Cabedelo, o grupo que mais mantem a tradição da lapinha viva é o das Mães Cristãs de Cabedelo, existente há mais de 20 anos.

Tambores do Forte - Raízes negras ditam o ritmo em Cabedelo

O Grupo Cultural Tambores do Forte possui uma identificação muito forte com o povo cabedelense, valorizando e contribuindo para o desenvolvimento das manifestações populares da cidade, além de divulgar a ancestralidade e a cultura do povo negro no atual cenário artístico cultural da região.

Fundado em janeiro do ano de 2009, o nome Tambores do Forte surgiu como forma de mostrar o quanto é forte a “batida do tambor”, também homenageando o privilegiado local dos ensaios: a Fortaleza de Santa Catarina, um dos maiores patrimônios históricos do Estado da Paraíba.

Essa iniciativa foi uma idealização do Professor de Capoeira e Percussão, Júlio Mola, que atualmente coordena um belo trabalho acompanhado por artistas e músicos percussionistas. “O Tambores do Forte é um eixo ativo de militância e divulgação da cultura negra. Nosso projeto tem um cunho social importantíssimo pra esta cidade, pois além de resgatar e divulgar ritmos e danças de matriz africana e popular, faz com que nossa juventude busque a prática de uma atividade saudável que, ao mesmo tempo, engrandece a cidade culturalmente”, afirmou Mola.

O repertório musical do grupo inclui uma polirritmia harmoniosa da orquestra percussiva com base nos atabaques, timbales, agogôs, agbês, caixas, alfaias, surdos, repiniques e tamborins e que mantém a tradicional cadência do Samba de roda, a evocação do Ijexá, o ancestralismo do Maracatu, a alegria da Sambada de Côco  e o contagiante som do Samba-reggae. A indumentária utilizada também é uma característica marcante do grupo, com suas batas africanas (camisas) e fraudões africanos (calças).

Através do “Tambores”, o nome de Cabedelo já foi representado em diversas cidades e tem reconhecida originalidade e qualidade musical. O grupo também se apresenta em eventos sociais e nas principais festividades da cidade, se dispondo, ainda, na realização de trabalhos sociais em comunidades carentes e na promoção de eventos, como os bailes afros, encontros e festivais da Cultura Negra.

Mais informações sobre o grupo Tambores do Forte podem ser buscadas através do contato (83) 8807-4367, com o Professor Júlio Mola.