Aniversário do Centro Cultural Mestre Benedito reúne grupos tradicionais de coco e ciranda da Paraíba em festival

O setor cultural da cidade de Cabedelo viveu momentos especiais neste final de semana, com a celebração do primeiro aniversário do Centro Cultural Mestre Benedito e a comemoração antecipada do Dia Municipal do Coco de Roda e Ciranda (instituído em 22 de novembro pela Lei nº 1.890/2018).

As datas foram comemoradas juntas, na noite do último sábado (9), no pátio externo do Centro Cultural, com a realização do “I Festival Sons e Ritmos do Coco de Roda”. O evento foi animado pelos sons dos tambores e dos mestres coquistas dos grupos convidados, que se revezaram nas apresentações.

Tradicional do Nordeste, o coco de roda mistura elementos da cultura negra com os costumes dos povos indígenas brasileiros e apesar das principais teorias apontarem seu surgimento nas regiões de interior (provavelmente nos quilombos), a manifestação ganhou muita força nas áreas litorâneas, como em Cabedelo, onde a tradição é secular.

O município paraibano, inclusive, é considerado por muitos como berço cultural de muitas manifestações folclóricas e ainda tem a dedicação de mestres da cultura popular, mas nunca tinha reunido de forma oficial grupos de coco e ciranda em um festival. O feito inédito foi comemorado pelo secretário de Cultura, Igobergh Bernardo.

“Resolvemos celebrar as duas datas em um só momento, promovendo uma grande e inédita brincadeira com coco de roda e ciranda na cidade. Batizamos de ‘Festival de Sons e Ritmos’ visando fortalecer esse movimento no município e com a intenção de que os brincantes locais se apropriem do mesmo, dando um potencial cultural ainda maior pra Cabedelo. Foi uma linda festa dentro do Centro Cultural Mestre Benedito, fazendo jus a esse belo patrimônio que foi inaugurado ano passado pela atual gestão municipal”, disse o secretário.

O público presente interagiu dançando e cantando os ritmos e cânticos entoados pelos mestres coquistas que animaram a noite. Participaram do festival os grupos: Resgate à Cultura,  da mestra dona Senhorinha de Barra de Camaratuba (Mataraca-PB) que existe há 2 anos; Atalaia de Forte Velho (Lucena-PB), da coquista Patrícia, que dá continuidade às atividades culturais centenárias do mestre Jorge; do Mestre Zé Cutia, da vila dos pescadores de Jacumã (Conde-PB), sob a coordenação do coquista Israel; e Novo Quilombo, da mestra Ana do Coco das comunidades Ipiranga e Gurugi (Conde-PB), que já existe há mais de 30 anos e é convidado para fazer apresentações em todo o Brasil.

Além dos convidados, o Festival contou, ainda, com a apresentação especial do grupo cabedelense de coco de roda e ciranda do Mestre Benedito, sob o comando da mestra cultural Mônica (filha de Teca do Coco e neta do Mestre Benedito).

“Essa iniciativa é muito importante porque cria um elo muito grande na Paraíba inteira. O coco é uma coisa muito gostosa de brincar e, para isso, nós não pedimos nada em troca, pois, já vale a pena essa sintonia e a gente reviver um costume tão antigo. Mas nós que fazemos coco na Paraíba atualmente cumprimos o papel do Estado em promover o resgate da cultura popular e em proporcionar entretenimento para o povo. É por isso que eu parabenizo a Prefeitura de Cabedelo por ter a belíssima visão de construir um espaço como esse para os grupos se apresentarem e por exaltar o nome de Mestre Benedito, que foi uma figura importantíssima na história dessa cidade. Eu vou voltar para minha cidade levando esse desejo de termos um local como esse para as nossas expressões culturais”, ressaltou Ana do Coco, do município do Conde-PB.

Onde tem coco, tem a presença do povo. Devido à sua origem nas camadas oprimidas e marginalizadas da sociedade, o coco sempre sofreu a discriminação e censura, e assim, a sua difusão e a manutenção como expressão cultural deve-se unicamente à sua resistência. Quem também prestigiou o evento no Centro Cultural em Cabedelo e conhece um pouco dessa história é o ex diretor de cultura popular da Funjope, Emilson Ribeiro, que fez questão de dar um depoimento sobre a comemoração na cidade. Ele também contou que teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o Mestre Benedito na década de 60.

“O legado de Benedito é imensurável e não tem comparação. Eu o conheci em 1967 quando, juntamente com José Nilton e Altimar Pimentel, tivemos a oportunidade de levar a Nau Catarineta de Cabedelo para a cidade de Goiana em Pernambuco. Mas não o conhecia como coquista, apesar de já saber que, naquelas décadas, existiam aproximadamente uns 50 grupos de coco nesta cidade. E hoje, infelizmente ou felizmente, só temos um e é justamente dando continuidade ao trabalho de Benedito. Não resta a menor dúvida que esse tipo de evento dá mais estímulo aos mestres e sugere que os jovens valorizem as manifestações populares, por isso eu admiro muito a postura do companheiro que está de frente da Cultura aqui em Cabedelo, que é jovem, mas está demonstrando grande experiência e muita qualidade pra esse trabalho” destacou Emilson.

Formato dos eventos – Em todos os eventos, a Secult Cabedelo vem trabalhando o fortalecimento dos elementos culturais da cidade, transformando-os em produtos que podem ser absorvidos pelo mercado turístico. Recentemente, foi realizada a rota cultural de ‘Dark Tourism’, que também contou com o apoio e iniciativa da Secretaria, e que, assim como o Festival de Sons e Ritmos, visa se consolidar no calendário de eventos e no cenário cultural.

O formato destas festividades também favorece aos comerciantes, já que em todas elas é sempre montada uma pracinha de alimentação e uma feirinha de artesanato que atende a quem os frequenta.

Dona Carmem Lúcia montou uma barraquinha para a venda de cachorros quente e não se arrependeu> “As vendas foram muito boas, graças a Deus. Essa iniciativa é excelente pra gente ganhar um dinheirinho extra”, finalizou.

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