Cabedelo promove caminhada da Paz e Enfrentamento à Intolerância Religiosa

A Prefeitura Municipal de Cabedelo (PMC), por intermédio da Secretaria de Assistência Social (Semas), junto ao Fórum da Diversidade Religiosa, promoveu, na manhã desta quinta-feira (18), a II Caminhada da Paz em Enfrentamento à Intolerância Religiosa.

O evento teve como objetivo afirmar os princípios de liberdade religiosa como direito garantido pela Constituição Federal em seu artigo 5º; a promoção do espírito de tolerância e respeito que deve marcar a convivência em meio a diversidade de fé; a integração entre os representantes de diversas manifestações religiosas; e, ainda, o reconhecimento histórico e a valorização de todas as vertentes de religiões.

O prefeito Vitor Hugo Castelliano compareceu ao evento comentou sobre o caráter educativo da ação e a mensagem de amor e respeito que a gestão quer transmitir com esse gesto, para que sirva de reflexão individual e coletiva.

“É preciso amar as pessoas independentemente do que elas pratiquem ou do que escolhem para suas vidas, pois somos todos iguais e jamais devemos discriminar uma pessoa por qualquer motivo que seja. Sejamos seres humanos que escolhem o amor e vamos acabar com todo tipo de desrespeito e intolerância em qualquer tipo de situação. Na gestão municipal, nós trabalhamos diuturnamente para oferecer ao público serviços de qualidade e humanizados para que não haja preconceito, discriminação ou predileção alguma” afirmou Vitor.

A caminhada foi realizada da Praça dos Portuários até a Praça Getúlio Vargas, animada por um mini trio. Palavras de respeito e cantos religiosos pelos participantes deram o tom à iniciativa, que ainda contou com a participação de alunos da Escola Municipal Marizelda Lira; crianças e idosos de serviços sociais da Semas; e representantes de diversas manifestações religiosas.

Na Praça Getúlio Vargas, foram realizadas apresentações dos grupos de capoeira do SCFV Reviver I, de percussão do SCFV Reviver II e ainda uma descontraída participação das Idosas dos Centros de Convivência e do CRAS. A última caminhada com este intuito de sensibilização havia sido realizada em novembro de 2019 (antes da pandemia).

“Gostaria de agradecer a todas as religiões representadas na caminhada. Esse é um momento de conscientização das pessoas sobre respeito, algo que já deveria existir sem precisar de ação alguma. Mas a iniciativa apenas ressalta o que já estamos trabalhando em nossos serviços.”, afirmou a secretária de Assistência Social, Cynthia Cordeiro.

Conceito e garantia – A intolerância religiosa é o ato de discriminar, ofender e rechaçar religiões, liturgias e cultos, ou ofender, discriminar, agredir pessoas por conta de suas práticas religiosas e crenças. Ela está marcada na história da humanidade, principalmente porque, no passado, era comum o estabelecimento de pactos entre as religiões, em especial as institucionalizadas, como o cristianismo, e os governos.

A Constituição Brasileira de 1988, em seu artigo 5º, garante a liberdade religiosa como princípio inviolável aos cidadãos, mesma garantia faz parte do pacto estabelecido pela ONU por meio da Declaração Universal dos Direitos Humanos. No Brasil ainda existe a Lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997, que em seu primeiro artigo prevê a punição para crimes motivados por discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Além do Fórum da Diversidade Religiosa em Cabedelo, mãe Graça representa também os grupos Mulheres de Axé do Brasil e Mulheres de Axé da Paraíba. Ela foi muito contundente em sua fala sobre preconceito.

“O que nós trazemos para toda comunidade é que o preconceito não está somente na religião, tá na cor, no cabelo… A diversidade religiosa não se imprime só em religião, muitos são discriminados por serem de candomblé, umbanda, juremeiro e muitos não sabem nem o que é macumba. Historicamente, o candomblé está em todo Brasil e, somente hoje, as pessoas colocam seu turbante, suas vestes e podem dizer ‘eu sou do axé’. Muitos colocam o pé para você cair, muitos olham pra você e se benzem, agora me diga o porquê? Qual a diferença do meu axé pra tua igreja? Se eu vou falar em iorubá, tu vai falar em português. Os negros tiveram que se esconder por muito tempo, mas hoje não iremos nos esconder nunca mais. A palavra hoje é respeito! Só estamos pedindo respeito e lutando contra isso todos os dias”, concluiu a mãe de santo da Casa Cauê Axé de Oya Onyra e candomblecista da Nação Gege Mari.

Presenças – O evento contou com a participação da secretária de Assistência Social (Semas), Cynthia Cordeiro; secretária adjunta da Semas, Januária Alves; o representante da Câmara Municipal (e autor do requerimento que solicitou a realização Caminhada), Divino Felizardo; representante do Fórum da Diversidade Religiosa seccional Cabedelo, Mãe Graça; coordenador de Políticas Públicas LGBTQIA+, Raça e Fé, Iarlley Araújo; representante da Casa Mensageiros da Paz e da Federação Espírita da Paraíba, Clara Costa; representante da Igreja Cristã Congregacional e dra. em Ciências da Religião, Karla Muniz Barreto; além de vários adeptos de religiões cristãs e de matrizes africanas.

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