Ocupação Artística fomenta atividades culturais e tem adesão dos artistas de Cabedelo

A Prefeitura Municipal de Cabedelo, por intermédio da Secretaria de Cultura (Secult) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PB), realizou, durante o mês de outubro, a “I Ocupação Artística de Cabedelo”. O movimento cultural propôs o diálogo e a integração entre os setores criativos da cidade, com foco no fortalecimento da identidade local e no sentimento de pertencimento.

A ação faz parte do Plano Municipal de Economia Criativa – “Cabedelo + Criativa”, que possibilita também o amadurecimento das criações, sistematizadas em rede, destacando-as como principais ferramentas de sustentabilidade e de promoção cultural de um município.

Os últimos dias do evento mesclaram atividades online e presencial, realizadas no Centro Cultural Mestre Benedito e no Casarão do Padre – Espaço Criativo. A culminância do movimento, de forma descontraída, foi realizada no sábado (23), no Casarão, com público restrito, que pode assistir à personificação de assombrações, como Mulher de Branco, Freira e Comadre Florzinha; apresentações com bailarinos e músicos; apresentação de artesanatos e produtos com personagens e obra prima local, além de muita música regional.

O secretário de Cultura Igobergh Bernardo, ficou entusiasmado com a vivência da ocupação e com a participação dos artistas, e chegou a comentar sobre os frutos que o município pode colher.

“Ocupar é necessário. Toda essa efervescência que estamos vendo acontecer resultará na imagem criativa que queremos para a nossa cidade. O Cabedelo + Criativa propõe exatamente esse resgate de memórias e essa miscigenação cultural. Os nossos produtos agregam mais valores quando estão mais identificados com algo da nossa terra”, destacou Igobergh.

A atividade principal da Vivência foram as oficinas ministradas pelo artista e produtor cultural baiano Luiz Antônio Sena Jr., que conseguiu promover a conexão dos artistas estimulando-os para novas experiências.

“Eu trabalhei com noções de produção cultural, dispositivos de criação teatral, introdução de musicalidade e danças, tentando convergir o que poderiam ser as linguagens artísticas para ocupar o espaço. Entendendo a ocupação como um momento de intercâmbio e de soma, porque muitas vezes alguns segmentos culturais não se misturam. Nossa provocação foi no sentido de como a gente pode se olhar, se validar, se respeitar e daí criar outras possibilidades para, juntos, pensarmos em economia criativa e políticas públicas. Era preciso também fazer uma associação entre a instância artística e a burocrática para que os agentes possam ocupar os espaços que estão à disposição, como o Centro Cultural, o Casarão, as praças, o quintal de casa… despertando nas pessoas a autonomia para validar o que já fazem. E aqui eu tive a sorte de encontrar com pessoas com gerações, formações, origens e linguagens distintas. O saldo que eu saio daqui é muito positivo no sentido de empatia de pessoas que estão pensando em caminhar juntos mesmo com essas diferenças”, destacou Luiz.

Os encontros da Ocupação Artística reuniram empreendedores locais, atores, artesãos, artistas plásticos, cantores, poetas, maquiadores, músicos, dentre outros, que também foram apresentados aos equipamentos culturais e espaços físicos geridos pela Secult e que já estão disponíveis para que os mesmos ocupem e compartilhem seus saberes e fazeres.

Entre uma apresentação e outra, o público podia conferir uma mini exposição de utensílios domésticos e decorativos que estava acontecendo no Casarão. Eram os produtos dos artistas plásticos Rony e Wellisandra Brito. Eles têm participado de diversas iniciativas ligadas à Secult e também explanaram suas ações na ocupação.

“Nós transformamos materiais que são descartados pelas pessoas em peças únicas de mobiliário e decoração. Produtos que vão do lixo ao luxo. É a economia criativa em sua essência. Estamos felizes por conhecer neste vivência o trabalho de outros artistas que não conhecíamos” afirmou Wellisandra.

Nessa troca de conhecimento, estava a agente cultural Wanderlea Rocha, que já coordenou junto com sua família a Lapinha Jesus de Nazaré e atualmente é proprietária da loja Jacaroa no Parque Turístico do Jacaré. Wanderlea parece ter compreendido a mensagem do pertencimento cultural. “Atualmente nossos produtos são voltados para o público infantil e tem muita identificação com a cidade. Até criamos personagens locais e itens originais que nos ligam ao que é de Cabedelo. Topamos o desafio do pertencimento”, disse Wanderlea.

Quem também elogiou a iniciativa da Ocupação Artística foi a artesã Catarina Barbosa. “Tudo foi maravilhoso. A Cultura está de parabéns. Esse espaço ganhou a vida, isso aqui floresceu, as ideias precisam ser compartilhadas e fortalecidas”.

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