Palestras, apresentação cultural e atividades desenvolvidas nas escolas celebram Dia da Consciência Negra em Cabedelo

Cidade lembra data nacional no dia 17 através da Lei Municipal nº 1.763/2015

A Prefeitura Municipal de Cabedelo, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), lembrou, nesta quinta-feira (17), o Dia Municipal da Consciência Negra. O evento, com o tema “Povo Preto: lutas e conquistas”, aconteceu no Centro Cultural Mestre Benedito e teve o objetivo de fomentar ações de desconstrução do racismo dentro e fora da escola e também a valorização da luta dos movimentos sociais.

A iniciativa foi do Setor de Projetos Educacionais (SPE) e da Coordenação da Diversidade Étnico Racial e de Gênero da Seduc, e reuniu professores e estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O evento contou com palestra ministrada pelos professores Thiago Brandão e Diego Souza e ainda com a apresentação cultural do grupo de coco de roda “Novo Quilombo”, do município do Conde. As atividades temáticas relativas ao Dia da Consciência Negra se estenderão nas escolas municipais até o próximo dia 25.

“Considerando-se que o racismo representa uma chaga no tecido social, arraigada em uma estrutura política, econômica e cultural secular, da qual emana toda sorte de crimes relacionados à cor, é impossível que instituições como a escola e a imprensa, por exemplo, mantenham-se indiferentes. Como educador sinto-me no dever de dar o meu melhor a fim de ‘desmantelar’ a cultura racista, assim como todo tipo de preconceito. Semear o senso crítico no chão da escola reflete a ‘jardinagem’ de um futuro mais justo e igualitário. E mesmo sabendo que os frutos dessa semeadora possivelmente não serão colhidos diretamente por nós que hoje estamos na luta, continuamos preparando o terreno, a fim de que as futuras gerações possam vivenciar uma sociedade na qual exista respeito e equidade para com todos ao cidadão”, destacou a professora Ivonete Coriolano, Coordenadora da Diversidade Étnico Racial e de Gênero da Seduc.

A palestra-tema da abertura foi voltada aos alunos EJA das escolas municipais Maria José de Miranda Burity, Paulino Siqueira, Plácido de Almeida e Vereador Pedro Américo da Silva, que participaram de uma roda de conversa.

“Estamos trabalhando com a ideia de resistência e conquista, então temos que pensar a nossa história, a história paraibana e a história brasileira, em conexão com a diáspora africana,  porque o nosso país foi constituído por esse tronco africano cultural, social, de existência, também com um tronco indígena. O dia de hoje, que celebra a Consciência Negra aqui na cidade de Cabedelo, vem para dar importância à memória de nossos povos históricos”, ressaltou afirmou o palestrante Thiago Brandão, que é mestre em História, especialista em História Afro-Brasileira, com formação complementar em Educação para Direitos Humanos; e integrante colaborador do Núcleo de Estudos e Afro Brasileiro e Indígena (NEABI-UFPB).

O professor de História especialista no pós-abolição e cultura negra, Diego Souza, integrante do grupo de pesquisa pessoense Coco Acauã, fez questão de pontuar em sua palestra qual a maior preocupação dos movimentos sociais dentro da semana da Consciência Negra.

” Todo mundo quer uma condição de vida melhor e uma parcela da população ainda vive em condições sociais precárias. Quando essas pessoas conseguem uma  ascensão social ainda são apontadas de forma preconceituosa. Só sabe que é difícil quem sofre na pele o processo de discriminação ou ação racista. Lembramos ainda que Cabedelo é terra de cultura negra e indígena, tem um coco de roda forte, e essa cultura traz em si uma identidade de resistência com toda sua história”, disse Diego que é

Projetos na área – A coordenação de Diversidade Étnico Racial e de Gênero da Seduc vem trabalhando projetos pilotos que consistem na desconstrução do racismo e no fomento ao empreendedorismo.

Durante o evento desta quinta-feira, foi apresentado de forma lúdica o projeto “Bonecos Negros, Creches Coloridas”, que trabalha com oficinas de artesanato de bonecos para professores e mães de crianças de creche; e o projeto “Cultura Popular”, que envolve artesanato, cordel, farmácia viva com plantação de ervas medicinais e culinária voltada para o empreendedorismo.

 

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